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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Em uma roda de causos do sertão, um vaqueiro narra: 'Aí, cumpadre, eu peguei o aboio e fui atrás da rês que tinha desgarrado. O sol tava de rachar, mas eu, home teimoso, num arredei o pé. Lá pras tantas, o boi se embrenhou na caatinga, e eu, no lombo do cavalo, fui no rastro. Quando vi, tava de cara com o danado. Foi um custo, mas trouxe o bicho de volta pro curral, viu?' O contador usa termos como 'aboio' (canto para guiar o gado), 'rês', 'caatinga' e expressões como 'lá pras tantas', próprias da cultura e da fala do sertão nordestino. Esse vocabulário, ligado ao trabalho com o gado e ao ambiente da região, é compreendido com facilidade por quem vive ali. Considerando as marcas que aparecem no causo, qual variação linguística predomina na fala do vaqueiro?
AVariação histórica, porque o vaqueiro emprega um português que já caiu em desuso há séculos.
BVariação estilística, porque o vaqueiro adota um registro técnico e formal para narrar o fato.
CVariação regional, porque o vocabulário e as expressões são próprios da fala do sertão nordestino.
DVariação de canal, porque um causo só pode existir na modalidade escrita da língua.
EVariação metalinguística, porque o vaqueiro explica o sentido de cada palavra que utiliza.

Gabarito comentado

Regionalismos não se limitam à pronúncia: incluem vocabulário e expressões ligados à cultura local, como os termos do universo do gado no sertão. Eles enriquecem a língua e revelam saberes de cada comunidade. Identificar a variação regional pede atenção ao léxico típico de um lugar, sem tratá-lo como desvio.

Resolução passo a passo

O vaqueiro emprega palavras como 'aboio', 'rês' e 'caatinga' e expressões como 'lá pras tantas', todas ligadas à cultura e ao modo de falar do sertão nordestino. Esse vocabulário próprio de uma região, compreendido por quem vive ali, caracteriza a variação regional, ou diatópica. A variação histórica trata de formas em desuso por causa do tempo, enquanto esses termos seguem vivos na região. A variação estilística diz respeito ao grau de formalidade escolhido, e o causo é uma narrativa espontânea, não um texto técnico. A variação de canal opõe fala e escrita, ao passo que o causo é tipicamente oral. Não há explicação do código que configure metalinguagem, já que o vaqueiro apenas narra. Como as marcas remetem ao espaço, predomina a variação regional.

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