Ciências HumanasRepública Velha e as Oligarquias Café-com-LeiteDifícil

Questão de República Velha e as Oligarquias Café-com-Leite — ENEM

Em um ensaio clássico sobre a sociedade brasileira, o historiador José Murilo de Carvalho argumenta que a Primeira República consolidou uma ordem política que excluía a maior parte da população da vida pública. Segundo ele, os eleitores que iam às urnas formavam uma minoria ínfima do total de habitantes, já que analfabetos, mulheres e mendigos eram proibidos de votar. O eleitor que participava raramente o fazia com liberdade, controlado pelos mecanismos do coronelismo. Havia, portanto, uma distância enorme entre a retórica liberal da Constituição de 1891, que proclamava direitos e liberdades, e a realidade de uma sociedade marcada pela dependência pessoal, pelo patrimonialismo e pela exclusão política da maioria. Essa contradição entre o texto constitucional e a prática social da época é um traço central da análise historiográfica da Primeira República. A partir dessa perspectiva, qual interpretação melhor sintetiza a contradição apontada?
AA Constituição de 1891 era desnecessária, uma vez que as práticas sociais já garantiam plena igualdade política.
BA República formalmente liberal excluía na prática a maioria da população, pois as instituições republicanas conviviam com o coronelismo e o controle eleitoral.
CO coronelismo era apenas um fenômeno residual de pouca importância, superado pelo crescimento urbano das capitais.
DA exclusão eleitoral de analfabetos era justificada, já que o sistema educacional republicano formava leitores em quantidade suficiente.
EA Constituição de 1891 era plenamente aplicada nos estados, garantindo eleições livres e representação equitativa.

Gabarito comentado

A análise de José Murilo de Carvalho revela um traço estrutural da Primeira República: a existência de um Estado formalmente democrático que na prática servia aos interesses das oligarquias e excluía a maioria. Compreender essa contradição é essencial para entender por que o regime entrou em crise nos anos 1920 e por que movimentos como o tenentismo e a Revolução de 1930 encontraram respaldo social.

Resolução passo a passo

O texto apresenta a tese de José Murilo de Carvalho de que havia uma contradição entre o liberalismo formal da Constituição de 1891 e a realidade de exclusão política da maioria, marcada pelo coronelismo, pelo controle eleitoral e pelo patrimonialismo. A interpretação que melhor sintetiza essa contradição é a da república formalmente liberal que excluía na prática a maioria, pois as instituições coexistiam com o controle oligárquico. A primeira alternativa nega a contradição e afirma plena igualdade, o oposto do argumento do historiador. O coronelismo não era fenômeno residual, sendo o eixo central da organização política rural. A justificativa da exclusão de analfabetos contradiz o argumento crítico do ensaio. A aplicação plena da Constituição é refutada pela própria análise que aponta o abismo entre o texto legal e a prática social. Logo, a interpretação correta é a da contradição entre o liberalismo formal e a exclusão real.

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