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Questão de Artes Plásticas, Visuais e Vanguardas Europeias — ENEM

Em uma pesquisa escolar sobre o Modernismo brasileiro, uma estudante encontra um texto crítico que distingue duas fases da produção de Tarsila do Amaral. A primeira, denominada Pau-Brasil, é caracterizada por paisagens e cenas brasileiras representadas de forma simplificada, com cores vivas e elementos nacionais — o trem, a roça, o coqueiro —, sintetizando o olhar do viajante que redescobre o Brasil com os olhos modernos aprendidos na Europa. A segunda fase, denominada Antropofágica, é inaugurada pela tela Abaporu (1928) e pelo Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, e traz figuras primitivas e simbólicas que sugerem uma devoração cultural crítica das referências europeias. O texto critica interpretações que veem nessas duas fases apenas uma evolução linear, e propõe que elas representam tensões distintas no interior do projeto modernista. Considerando esse quadro, qual afirmação melhor descreve a diferença entre as duas fases da obra de Tarsila?
AA fase Pau-Brasil centra-se na redescoberta poética do Brasil com olhar modernista, ao passo que a fase Antropofágica radicaliza pela devoração crítica das influências europeias em busca de uma identidade nacional autônoma.
BA fase Pau-Brasil rejeita completamente as vanguardas europeias, enquanto a fase Antropofágica as copia de forma fiel.
CAmbas as fases são idênticas em proposta e temática, diferindo apenas nas técnicas de pintura utilizadas.
DA fase Pau-Brasil é marcada por temas urbanos e industriais, enquanto a fase Antropofágica retrata paisagens rurais tradicionais.
EA fase Pau-Brasil é atribuída ao Surrealismo, enquanto a fase Antropofágica pertence ao Impressionismo.

Gabarito comentado

As fases Pau-Brasil e Antropofágica de Tarsila não são simples etapas de uma progressão: elas expressam projetos culturais distintos dentro do Modernismo. A Pau-Brasil afirma uma brasilidade poética a partir do cotidiano; a Antropofagia vai além, propondo a digestão crítica do estrangeiro para produzir algo radicalmente próprio. Compreender essa distinção é essencial para interpretar o Modernismo brasileiro em sua complexidade.

Resolução passo a passo

O texto distingue claramente as duas fases: a Pau-Brasil redescobre o Brasil com elementos nacionais — trem, roça, coqueiro — por meio de um olhar modernista aprendido na Europa, uma síntese poética e afirmativa da identidade brasileira. A fase Antropofágica, inaugurada pelo Abaporu, radicaliza ao propor a devoração crítica e a transformação das influências europeias em algo original e autônomo, em vez de apenas assimilá-las. A segunda alternativa inverte a relação: a Pau-Brasil não rejeita as vanguardas, pois as usa como ferramenta; a Antropofágica não copia, mas devora e transforma. As fases não são idênticas, pois o próprio texto indica tensões distintas entre elas. A Pau-Brasil não é urbana e industrial, ao passo que a Antropofágica não é rural tradicional. As associações com Surrealismo e Impressionismo são equivocadas. Por isso, apenas a primeira alternativa está correta.

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