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Questão de Demografia, Fluxos Migratórios e Estrutura Etária — ENEM

No fim do século XVIII, o economista inglês Thomas Malthus formulou uma tese que marcou os estudos de população: segundo ele, a população tenderia a crescer em ritmo geométrico, enquanto a produção de alimentos cresceria apenas em ritmo aritmético, mais lento. Disso decorreria, no futuro, a fome e a miséria, a menos que freios como guerras, epidemias e abstinência reduzissem os nascimentos. Décadas depois, pensadores ligados ao reformismo passaram a contestar essa visão, argumentando que a miséria não resultava do excesso de pessoas, e sim da desigualdade na distribuição da riqueza e da renda. Para os reformistas, melhorar as condições de vida e o acesso a recursos da sociedade resolveria os problemas atribuídos por Malthus ao tamanho da população. Considerando o contraste entre essas duas correntes do pensamento demográfico, qual ideia melhor expressa a crítica reformista à tese malthusiana?
AA pobreza decorre da desigualdade na distribuição da riqueza, não do número de habitantes.
BO crescimento da população deve ser estimulado para garantir mais mão de obra barata.
CA produção de alimentos jamais pode aumentar acima do ritmo aritmético previsto.
DApenas guerras e epidemias são capazes de equilibrar população e recursos.
EO controle de natalidade é o único caminho para superar a fome no mundo.

Gabarito comentado

A oposição entre malthusianismo e reformismo organiza boa parte do debate demográfico moderno. Enquanto Malthus enxerga o crescimento populacional como causa da miséria, o reformismo aponta a estrutura social desigual. Distinguir essas matrizes ajuda a avaliar criticamente argumentos atuais sobre população, recursos e pobreza.

Resolução passo a passo

O texto contrasta o malthusianismo, que atribui a miséria ao excesso de pessoas frente aos alimentos, com o reformismo, que enxerga a pobreza como produto da má distribuição da riqueza e da renda. A crítica reformista, portanto, desloca a causa da pobreza do tamanho da população para a desigualdade social, exatamente o que afirma a primeira alternativa. Estimular o crescimento populacional para baratear a mão de obra não pertence ao reformismo nem ao texto. Afirmar que a produção de alimentos nunca supera o ritmo aritmético repete a premissa de Malthus, contestada pelos reformistas. Reduzir o equilíbrio a guerras e epidemias é uma tese malthusiana, não reformista. Defender o controle de natalidade como único caminho aproxima-se do neomalthusianismo, diferentemente do reformismo. Por isso, a crítica correta vincula a pobreza à desigualdade.

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