Gabarito comentado
A literatura periférica nasce de um gesto de autoafirmação: quem antes era apenas tema agora é autor. Ela valoriza a oralidade, o território e a linguagem da quebrada como matéria literária legítima. Perceber essa reivindicação de voz é central para interpretar essa produção contemporânea.
Resolução passo a passo
O poema apresenta um eu lírico coletivo, que fala em nome da quebrada e afirma escrever 'sem pedir licença', mencionando o ônibus lotado, o muro pichado e o sonho que insiste. Esses elementos concretos e a linguagem próxima da fala mostram que a literatura periférica reivindica o direito de a periferia narrar a si mesma, com voz e estética próprias. O texto não rejeita o espaço urbano, ao contrário, ele o nomeia constantemente. Também não depende da academia, já que afirma não pedir licença; não evita os problemas sociais, que estão explícitos; e não imita o vocabulário erudito europeu, uma vez que adota a fala cotidiana. Dessa forma, o poema sugere a afirmação da voz própria da periferia ao narrar sua realidade.
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