Gabarito comentado
A literatura afro-brasileira contemporânea frequentemente transforma o corpo — historicamente objeto do olhar e da violência externos — em sujeito da própria narrativa. Reconhecer essa reapropriação simbólica como operação literária é uma habilidade crítica avançada, necessária para interpretar textos de autoras como Conceição Evaristo e Cidinha da Silva.
Resolução passo a passo
Ambos os trechos realizam uma reapropriação do corpo: no primeiro, o cabelo que 'outros viram como problema' é ressignificado como 'mapa, raiz e recado'; no segundo, o corpo não é o que os outros viram, mas 'o que eu decidi contar, com as palavras que escolhi'. Essa operação é a reapropriação do próprio corpo como espaço de afirmação identitária, contrariando a narrativa desumanizadora do olhar externo — alternativa C. A aceitação passiva das representações externas seria o movimento oposto ao que os textos fazem; recusar mencionar o corpo contradiz o protagonismo corporal presente nos dois trechos; valorizar o ponto de vista externo como mais legítimo inverte a lógica de autonomia narrativa que os textos propõem; e a defesa de estudos científicos objetivos não tem relação com a escrita literária em primeira pessoa. Assim, a operação literária comum é a reapropriação afirmativa do próprio corpo como afirmação de identidade frente ao olhar externo que desumaniza.
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