Ciências HumanasFilosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo)Difícil
Questão de Filosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo) — ENEM
Os três principais contratualistas modernos partem de um estado de natureza hipotético, mas chegam a conclusões distintas sobre o poder. Para Hobbes, o estado de natureza é uma guerra de todos contra todos, e os homens transferem seus direitos a um soberano absoluto, o Leviatã, para obter segurança. Para Locke, o estado de natureza já possui direitos naturais, e o governo é instituído para protegê-los, podendo ser deposto se os violar. Para Rousseau, o homem é originalmente bom, e o contrato legítimo submete cada um à vontade geral da comunidade. Um estudante, ao analisar um documento sobre cidadania, leu a seguinte frase: 'O poder do governo é legítimo apenas enquanto protege a vida, a liberdade e a propriedade dos cidadãos; se trair essa finalidade, o povo pode substituí-lo'. Considerando o texto, a qual contratualista essa frase melhor corresponde?
AA Hobbes, pois defende a transferência total do poder a um soberano absoluto.
BA Locke, pois vincula a legitimidade do governo à proteção de direitos naturais.
CA Rousseau, pois identifica o poder com a vontade geral indivisível da comunidade.
DA Descartes, pois aplica a dúvida metódica à fundação do Estado civil.
EA Hume, pois reduz a legitimidade do governo ao hábito e ao costume social.
Gabarito comentado
Comparar os contratualistas exige fixar a tese de cada um: Hobbes prioriza a segurança via soberano absoluto; Locke, a proteção de direitos naturais com governo limitado e resistência; Rousseau, a vontade geral. A menção à propriedade e à deposição é a assinatura de Locke.
Resolução passo a passo
A frase condiciona a legitimidade do governo à proteção da vida, da liberdade e da propriedade e admite a substituição do governante que trair essa finalidade, ideias típicas de Locke e do direito de resistência. A segunda alternativa é correta. A primeira erra, já que Hobbes defende soberano absoluto e não prevê deposição. A terceira erra, uma vez que a vontade geral de Rousseau não se centra na propriedade nem na resistência individual. A quarta e a quinta confundem os campos, pois Descartes trata de epistemologia com a dúvida metódica e Hume discute causalidade e hábito, não a legitimidade do pacto. Logo, a frase corresponde a Locke.
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