Ciências HumanasGlobalização e Blocos EconômicosDifícil
Questão de Globalização e Blocos Econômicos — ENEM
A expressão 'reprimarização da economia' ganhou destaque nos debates sobre o desenvolvimento de países como o Brasil a partir dos anos 2000, quando o boom das commodities levou a uma reorientação das exportações em direção a produtos primários — soja, minério de ferro, petróleo — em detrimento de manufaturados de maior valor agregado. Economistas heterodoxos argumentam que esse movimento, embora capaz de gerar divisas no curto prazo, aprofunda a vulnerabilidade externa dos países periféricos, reforça sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho e os torna dependentes das oscilações de preço nos mercados internacionais de commodities. Pesquisadores da economia política internacional apontam ainda que a demanda por commodities gerada pela industrialização chinesa alimentou esse ciclo, evidenciando como a integração global pode moldar a estrutura produtiva de economias nacionais. Considerando essa análise, qual relação entre globalização e estrutura produtiva o fenômeno da reprimarização evidencia?
AA globalização induz os países periféricos a industrializarem-se rapidamente, elevando seu valor agregado exportado.
BA reprimarização é exclusivamente resultado de políticas domésticas, sem relação com a demanda global por commodities.
CA integração global pode induzir países periféricos a especializarem-se em produtos primários, reforçando sua vulnerabilidade externa e sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho.
DA reprimarização reduz a dependência externa dos países periféricos, pois as commodities possuem preços mais estáveis do que os manufaturados.
EA globalização elimina a distinção entre países exportadores de commodities e exportadores de manufaturados ao homogeneizar as estruturas produtivas.
Gabarito comentado
A reprimarização designa o processo pelo qual economias em desenvolvimento passam a concentrar suas exportações em produtos primários de baixo valor agregado. Esse movimento, impulsionado pela demanda global, reforça a divisão internacional do trabalho ao manter países periféricos como fornecedores de matérias-primas para os países centrais e suas potências emergentes. Compreender esse ciclo é essencial para analisar os limites e as contradições do desenvolvimento no contexto da globalização.
Resolução passo a passo
O texto descreve como a demanda global por commodities — especialmente da China — reorientou as exportações de países como o Brasil para produtos primários, reforçando sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho e sua vulnerabilidade às oscilações de preço nos mercados internacionais, ideia expressa na terceira alternativa. A primeira contradiz o texto, que mostra uma desindustrialização relativa, e não uma industrialização acelerada. A segunda nega a relação com a demanda global, ao passo que o texto aponta explicitamente a industrialização chinesa como motor do ciclo de commodities. A quarta inverte o argumento, afirmando que as commodities reduzem a vulnerabilidade, enquanto o texto indica o contrário. A quinta nega a distinção entre exportadores de primários e de manufaturados, o oposto do argumento apresentado. Logo, a terceira alternativa sintetiza corretamente o fenômeno.
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