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Questão de República Velha e as Oligarquias Café-com-Leite — ENEM

Com o fim do Império, em 15 de novembro de 1889, o Brasil adotou o regime republicano e o sistema federativo, transferindo ampla autonomia aos estados. Nesse novo arranjo, as elites agrárias estaduais, sobretudo os grandes proprietários de terras ligados à produção de café no Centro-Sul e de açúcar no Nordeste, passaram a controlar os governos locais e a indicar os representantes que ocupariam o poder federal. O povo em geral, sobretudo a população rural analfabeta, foi marginalizado do processo político, sem participação real nas decisões. A imprensa da época registrava que a República fora proclamada por um pequeno grupo militar, sem que as ruas se mobilizassem. Esse caráter concentrador da Primeira República, em que o poder permaneceu nas mãos das oligarquias agrárias, é definido por uma expressão consagrada na historiografia. Como os historiadores costumam caracterizar o regime político dominante na Primeira República brasileira?
ARepública liberal, marcada pelo sufrágio universal, pela ampla participação popular e pela alternância democrática.
BRepública oligárquica, dominada pelas elites agrárias estaduais que controlavam o poder à margem da maioria da população.
CRepública socialista, orientada pela distribuição de terras e pela proteção dos trabalhadores rurais.
DRepública parlamentarista, em que o Congresso indicava e destituía os ministros sem intervenção do presidente.
ERepública tecnocrática, gerida por especialistas sem vínculos com as oligarquias agrárias dos estados.

Gabarito comentado

A Primeira República (1889–1930) é chamada de oligárquica porque o poder real ficou nas mãos das elites agrárias estaduais, especialmente a cafeeira de São Paulo e a mineira. Compreender esse traço é fundamental para analisar a exclusão política da maioria da população brasileira no período e as raízes das desigualdades que marcaram a história do país.

Resolução passo a passo

O texto descreve um regime em que as elites agrárias estaduais, grandes proprietários rurais ligados ao café e ao açúcar, controlavam os governos locais e indicavam os representantes federais, à margem da população analfabeta e excluída. Esse perfil corresponde à República oligárquica, conceito que traduz o domínio de um pequeno grupo sobre o Estado em benefício próprio. A república liberal pressuporia participação popular ampla, sufrágio universal e alternância genuína, elementos ausentes no período. A república socialista implicaria redistribuição de terras e proteção de trabalhadores, ideias opostas aos interesses dos latifundiários. O parlamentarismo reserva ao Congresso a formação e a derrubada de governos, estrutura que não corresponde ao presidencialismo da Primeira República. A tecnocracia envolve gestão por especialistas neutros, incompatível com o domínio das oligarquias fundiárias. Logo, a expressão correta é República oligárquica.

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