Gabarito comentado
A oralidade na literatura afro-brasileira e periférica não é descuido, e sim recurso estético que conecta o texto às tradições orais e à memória coletiva. Compreender que marcas de fala produzem sentido cultural evita confundir essa escolha com erro gramatical.
Resolução passo a passo
O trecho imita o ritmo da fala ('Escuta, que vou contar como quem fia'), usa repetição ('repete pra não esquecer') e evoca a avó e o tambor, ligando a narrativa à transmissão oral entre gerações e à matriz africana. Esse uso da oralidade aproxima o texto da tradição oral e valoriza a passagem de saberes de uma geração a outra. O texto não fica incompreensível, já que as referências culturais o tornam mais rico, não ausentes; a oralidade é escolha estética consciente, e não desconhecimento da norma; o narrador não é eliminado, ao contrário, ele se faz muito presente ao conversar com o leitor; e a literatura não vira manual técnico, pois mantém função expressiva e afetiva. Logo, o efeito é aproximar o texto da tradição oral e valorizar a transmissão de saberes.
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