Ciências HumanasFilosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo)Difícil

Questão de Filosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo) — ENEM

Um dos grandes debates da filosofia moderna opôs racionalistas e empiristas quanto à origem das ideias. Para Descartes e os racionalistas, a mente possui ideias inatas, como as de Deus, de infinito e os princípios da matemática, que não derivam da experiência sensível, já que esta é mutável e enganosa; a razão seria a fonte do conhecimento mais seguro. Para Locke e os empiristas, ao contrário, a mente nasce como uma tábula rasa, e todas as ideias provêm da experiência, seja pela sensação, seja pela reflexão. Um estudante, lendo um texto de cultura filosófica, encontrou a afirmação: 'Não há nada no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos'. Considerando esse debate, a frase citada e a tradição que ela representa estão corretamente associadas em qual alternativa?
AAo inatismo de Descartes, que faz das ideias inatas a base do conhecimento.
BAo empirismo de Locke, que deriva todas as ideias da experiência sensível.
CAo criticismo de Kant, que dispensa por completo o papel dos sentidos.
DAo contratualismo de Rousseau, que situa as ideias na vontade geral.
EAo ceticismo radical, que nega a existência tanto da razão quanto dos sentidos.

Gabarito comentado

O lema de que nada está no intelecto sem antes passar pelos sentidos é a divisa do empirismo, contraposta ao inatismo racionalista. Reconhecer essa oposição entre tábula rasa e ideias inatas é chave para situar autores como Locke, Descartes e Kant na filosofia moderna.

Resolução passo a passo

A frase 'nada está no intelecto que não tenha passado pelos sentidos' resume o empirismo, que faz toda ideia derivar da experiência, posição de Locke e sua tábula rasa. A segunda alternativa associa corretamente frase e tradição. A primeira inverte tudo, já que o inatismo de Descartes nega que as ideias venham dos sentidos. A terceira distorce Kant, que valoriza os sentidos como conteúdo do conhecimento, ao passo que a frase os torna fonte de tudo. A quarta confunde epistemologia com a política de Rousseau. A quinta erra, pois o empirismo não nega razão nem sentidos. Logo, a frase pertence ao empirismo de Locke.

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