Gabarito comentado
Na literatura periférica, o território não é mero pano de fundo: ele é carregado de significado cultural e político. O bairro aparece como espaço de identidade e resistência, revertendo a imagem de falta ou violência frequentemente associada à periferia por olhares externos. Essa ressignificação do território é uma das marcas centrais dessa produção.
Resolução passo a passo
O trecho descreve um bairro sem placa oficial e com asfalto tardio, mas cuja 'história não cabe em nenhum mapa' e cujos 'muros pichados são gritos gravados que a chuva não apaga'. Esses elementos constroem o território como espaço de pertencimento e memória coletiva que resiste à invisibilidade imposta pela cidade — alternativa B. A ausência cultural total seria o oposto do que o texto sugere, pois o bairro é cheio de história; o idílio sem conflitos não corresponde ao retrato de carências (sem placa, sem asfalto) presente no poema; o abandono do território contradiz a celebração do pertencimento; e a neutralidade intercambiável vai contra a singularidade afetiva e histórica construída no texto. Assim, o território é apresentado como espaço de pertencimento e memória coletiva em resistência.
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