Ciências HumanasUrbanização, Conurbação e Segregação SocioespacialDifícil

Questão de Urbanização, Conurbação e Segregação Socioespacial — ENEM

Nas últimas décadas, pesquisadores da sociologia urbana têm discutido um fenômeno observado em metrópoles de vários países: segmentos de alta renda escolhem residir em condomínios fechados, murados e vigiados, afastando-se dos espaços públicos da cidade. Nesse processo, os moradores de maior poder aquisitivo buscam criar um ambiente controlado, com serviços próprios de lazer, segurança e comércio interno, reduzindo ao mínimo o contato com o restante da cidade. Ao mesmo tempo, sua retirada dos espaços públicos enfraquece a pressão política por melhorias coletivas e aprofunda a divisão social do território. Autores como Teresa Caldeira denominaram esse fenômeno de “enclaves fortificados”. Considerando essa reflexão sobre a organização do espaço urbano nas metrópoles, o que a expansão dos enclaves fortificados revela sobre a dinâmica social da cidade?
AAprofunda a segregação socioespacial ao retirar a elite dos espaços públicos e enfraquecer a coesão urbana.
BPromove a integração social ao criar espaços de lazer internos acessíveis a todos os moradores da cidade.
CReduz a segregação ao concentrar a população de alta renda em áreas periféricas distantes do centro.
DElimina a especulação imobiliária ao fixar o valor dos imóveis por contrato de condomínio.
EGarante a democratização do espaço urbano ao estimular a construção de parques públicos próximos.

Gabarito comentado

Os enclaves fortificados, analisados por Teresa Caldeira em obras como 'Cidade de Muros', evidenciam que a segregação socioespacial contemporânea é também voluntária: a elite se retira do espaço público, esvaziando o potencial de convivência e de pressão política que os espaços comuns oferecem, ao mesmo tempo que aprofunda as desigualdades territoriais.

Resolução passo a passo

O texto descreve os enclaves fortificados como espaços em que a elite se isola do restante da cidade, criando serviços internos e reduzindo o contato com os espaços públicos. Isso aprofunda a segregação socioespacial, pois a separação física se combina com o enfraquecimento da pressão política por melhorias coletivas. Afirmar que esses espaços promovem integração social contraria o texto, que mostra fechamento e controle do contato com o exterior. Dizer que a elite passa a ocupar periferias distantes ignora que os condomínios fechados se instalam em localizações diversas, muitas vezes centrais ou nobres. Vincular enclaves a redução da especulação imobiliária não tem sustentação no texto, que não aborda a dinâmica de preços. Associar os enclaves à democratização dos espaços públicos inverte a lógica: o texto aponta justamente o esvaziamento dos espaços coletivos. Por isso a alternativa correta é a primeira.

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