Ciências HumanasFilosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo)Difícil

Questão de Filosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo) — ENEM

Em um seminário universitário sobre identidade pessoal e ceticismo, a professora apresentou um trecho de David Hume para discutir a percepção que temos de nós mesmos. Em uma passagem do Tratado da Natureza Humana, Hume afirma que, ao entrar em si mesmo de modo mais íntimo, jamais encontra a si próprio sem uma percepção ou outra; encontra sempre calor ou frio, luz ou sombra, amor ou ódio, dor ou prazer. Nunca capta o eu isolado das percepções, em nenhum momento, e só consegue observar a percepção. A partir disso, Hume conclui que a ideia de um eu permanente e substancial é uma ficção que o hábito mental constrói a partir do fluxo de percepções. Essa crítica ao eu substancial contrasta com a certeza cartesiana do cogito e levanta questões filosóficas que percorrem debates contemporâneos em neurociência e filosofia da mente. Considerando o texto e o argumento apresentado, qual é a conclusão de Hume sobre a identidade pessoal?
AO eu é uma substância imaterial permanente que a razão pura demonstra com certeza.
BA identidade pessoal é dada pela vontade geral da comunidade política a que o indivíduo pertence.
CO eu substancial é uma ficção; o que existe é um fluxo de percepções ligadas pelo hábito mental.
DA identidade pessoal é formada por ideias inatas que a mente traz desde o nascimento.
EO eu resulta do contrato social, que unifica as vontades individuais na vontade coletiva.

Gabarito comentado

A crítica de Hume ao eu substancial radicaliza o empirismo: se toda ideia vem da experiência e não se percebe um eu além das percepções, então a identidade pessoal é uma ilusão produzida pela mente habituada a encadear percepções. Esse argumento antecipa debates modernos em filosofia da mente e neurociência sobre o que chamamos de 'eu'.

Resolução passo a passo

O texto apresenta Hume procurando internamente por um eu substancial e só encontrando fluxos de percepções, concluindo que a ideia de identidade permanente é uma ficção gerada pelo hábito mental. A terceira alternativa expressa exatamente essa conclusão cética. A primeira é a posição racionalista, que Hume critica ao negar que a razão pura capte um eu substancial permanente. A segunda mistura o conceito político de vontade geral de Rousseau com a questão epistemológica e psicológica da identidade pessoal, categorias distintas. A quarta é o inatismo de Descartes, que Hume refuta com seu empirismo radical, dado que para ele nenhuma ideia complexa é inata. A quinta retoma o contratualismo, alheio à discussão sobre identidade pessoal no trecho. Portanto, a conclusão de Hume é que o eu é uma ficção construída pelo hábito sobre percepções.

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