Ciências HumanasDomínios Morfoclimáticos e Biomas BrasileirosDifícil

Questão de Domínios Morfoclimáticos e Biomas Brasileiros — ENEM

Um relatório do Ministério do Meio Ambiente identificou núcleos de desertificação em municípios do semiárido nordestino, notadamente em áreas dos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O documento diferencia desertificação, processo de degradação das terras secas causado por atividades humanas — como o superpastoreio, o desmatamento e a agricultura inadequada —, de aridez natural, que é uma condição climática preexistente. O relatório aponta que a remoção da Caatinga para uso agropecuário, sem manejo adequado, expõe o solo raso e pedregoso às chuvas torrenciais ocasionais e ao sol intenso, acelerando a erosão, reduzindo a matéria orgânica e deixando manchas de solo estéril. Essas manchas se expandem e coalescam, dificultando a regeneração da vegetação nativa e comprometendo a disponibilidade hídrica. O relatório conclui que a desertificação ameaça a segurança alimentar e a permanência das populações rurais do semiárido. A distinção que o relatório estabelece entre desertificação e aridez natural é importante porque:
ADemonstra que a Caatinga já era desértica antes da colonização, tornando o uso humano da terra irrelevante para o processo.
BEvidencia que a aridez natural impossibilita qualquer forma de recuperação do solo no semiárido, independentemente das práticas adotadas.
CIndica que a desertificação é um processo antrópico que agrava a fragilidade natural do semiárido, e que intervenções de manejo podem contê-la.
DProva que somente chuvas torrenciais são responsáveis pela erosão do solo, eximindo as atividades agropecuárias de qualquer influência.
EEstabelece que a desertificação ocorre apenas em climas áridos genuínos, e o semiárido brasileiro não está sujeito a esse fenômeno.

Gabarito comentado

A desertificação é a degradação de terras secas por ação humana: superpastoreio, desmatamento e cultivo inadequado expõem solos frágeis à erosão. No semiárido nordestino, onde a Caatinga tem solos rasos, a remoção da vegetação acelera o processo. Distinguir aridez natural de desertificação é fundamental para responsabilizar as práticas humanas e orientar políticas de convivência sustentável com o semiárido.

Resolução passo a passo

O relatório distingue desertificação — processo antrópico — de aridez natural — condição climática preexistente — e aponta que superpastoreio, desmatamento e agricultura inadequada degradam solos já frágeis, levando a manchas estéreis que dificultam a regeneração. Essa distinção indica que a desertificação é antrópica e pode ser contida por manejo adequado. Afirmar que a Caatinga era desértica antes da colonização contradiz a distinção do relatório, que reserva o termo à ação humana. Dizer que a aridez natural impossibilita recuperação ignora o papel das práticas de manejo enfatizadas no documento. Atribuir a erosão apenas às chuvas torrenciais desonera as atividades humanas, contrariando o texto. Restringir desertificação a climas áridos e isentar o semiárido brasileiro contradiz diretamente o relatório, que identifica núcleos no semiárido nordestino. Portanto, a resposta correta liga a desertificação à ação antrópica e à possibilidade de contenção por manejo.

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