Ciências da NaturezaMicrobiologia e Parasitologia (Doenças causadas por Vírus, Bactérias e Protozoários)Difícil

Questão de Microbiologia e Parasitologia (Doenças causadas por Vírus, Bactérias e Protozoários) — ENEM

Uma pesquisadora apresenta a estudantes de medicina dados de um experimento clássico de imunologia. Em um primeiro contato com um antígeno, o organismo produz anticorpos de forma lenta, atingindo um pico baixo de concentração após cerca de dez dias; esse padrão é chamado de resposta primária. Quando o mesmo organismo é exposto ao mesmo antígeno meses depois, a produção de anticorpos é muito mais rápida, mais intensa e mais duradoura, constituindo a resposta secundária. A pesquisadora explica que esse comportamento decorre da existência de células de memória imunológica, linfócitos B e T de longa vida gerados durante o primeiro contato. As vacinas exploram exatamente esse mecanismo: ao administrar antígenos inativados ou atenuados, induzem a resposta primária e a formação de memória sem causar a doença. Considerando esse mecanismo, qual é a base celular que explica a resposta imune mais eficaz na segunda exposição ao antígeno?
AA destruição completa do antígeno na resposta primária, que impede qualquer reação na segunda exposição.
BA produção contínua de anticorpos pelas células de plasma durante anos, independentemente de novo contato com o antígeno.
CO aumento permanente do número de neutrófilos, células de defesa inespecífica, após o primeiro contato com qualquer antígeno.
DA fusão dos linfócitos T com as células do patógeno, formando híbridos que destroem qualquer microrganismo futuro.
EA existência de células de memória, linfócitos B e T de longa vida gerados na resposta primária, que reconhecem o antígeno rapidamente e amplificam a produção de anticorpos.

Gabarito comentado

A memória imunológica é o fundamento das vacinas. Na resposta primária, linfócitos B e T específicos proliferam e parte deles se diferencia em células de memória. Na resposta secundária, essas células reconhecem o antígeno com rapidez e produzem anticorpos em alta quantidade e afinidade. Esse mecanismo explica por que vacinados raramente desenvolvem a doença grave quando expostos ao agente real.

Resolução passo a passo

A resposta imune secundária é mais rápida e intensa devido à presença de células de memória imunológica, linfócitos B e T de longa vida, gerados durante a resposta primária. Ao reencontrar o antígeno, essas células se proliferam rapidamente e produzem grandes quantidades de anticorpos com alta afinidade, o que explica o perfil da curva secundária; por isso a quinta alternativa é a correta. A ideia de que o antígeno é completamente destruído na resposta primária e que não ocorre reação na segunda exposição é equivocada, pois é justamente o recontato que desencadeia a resposta amplificada. As células plasmáticas produzidas na resposta primária têm vida curta, de modo que a produção contínua de anticorpos por anos sem novo estímulo não ocorre de forma significativa. Neutrófilos fazem parte da imunidade inata e inespecífica, e seu aumento não explica a especificidade da memória imunológica. A fusão de linfócitos T com células do patógeno não ocorre dessa forma; os linfócitos reconhecem o antígeno por receptores de superfície e ativam respostas específicas. Apenas as células de memória explicam corretamente a base celular da resposta secundária.

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