Ciências HumanasEspaço Rural, Fronteiras Agrícolas e AgronegócioDifícil

Questão de Espaço Rural, Fronteiras Agrícolas e Agronegócio — ENEM

Em um seminário sobre desenvolvimento rural, um pesquisador apresentou dados do Censo Agropecuário para discutir a distribuição de terras no Brasil. Ele utilizou o índice de Gini fundiário, que varia de zero a um: quanto mais próximo de zero, mais igualitária é a distribuição; quanto mais próximo de um, maior a concentração. Os dados apresentados mostraram que o Brasil registrava um índice próximo a 0,87, um dos mais elevados do mundo, evidenciando que uma parcela ínfima dos estabelecimentos controlava a maior parte das terras agriculturáveis. O pesquisador argumentou que esse índice tem variado pouco ao longo das décadas e que políticas de reforma agrária realizadas foram insuficientes para alterá-lo de forma significativa. Ao analisar o índice de Gini fundiário do Brasil, o pesquisador busca demonstrar, sobretudo, qual aspecto da questão agrária?
AQue a distribuição de terras no Brasil é uma das mais equitativas do mundo, com índice próximo a zero.
BQue o crescimento da produtividade agrícola é suficiente para compensar a concentração fundiária.
CQue o índice de Gini mede exclusivamente a desigualdade de renda urbana, sem relação com o campo.
DQue a concentração fundiária brasileira é historicamente alta e pouco alterada pelas políticas de reforma agrária.
EQue a reforma agrária já equalizou a estrutura fundiária ao distribuir terras para a maioria dos trabalhadores.

Gabarito comentado

O índice de Gini fundiário quantifica a concentração de terras: valores próximos a um indicam altíssima desigualdade na distribuição. O Brasil, com índice historicamente próximo a 0,87, é um dos países com maior concentração fundiária do mundo. Usar esse indicador permite analisar de forma objetiva a eficácia — ou a insuficiência — das políticas de reforma agrária.

Resolução passo a passo

O pesquisador apresenta o índice de Gini fundiário próximo a 0,87 — um dos mais altos do mundo — e afirma que ele pouco variou ao longo das décadas apesar das políticas de reforma agrária, o que evidencia que a concentração fundiária brasileira é historicamente alta e resistente às intervenções públicas. A afirmação de que a distribuição é equitativa contraria diretamente o valor de 0,87, que indica alta concentração. Dizer que a produtividade compensa a concentração não é o argumento do pesquisador e desvia do tema da distribuição fundiária. Afirmar que o índice mede apenas desigualdade urbana é falso, dado que o seminário e os dados tratam especificamente do censo agropecuário. A tese de que a reforma agrária equalizou a estrutura é negada pelo próprio texto, que afirma que as políticas foram insuficientes. Portanto, o aspecto central é a alta concentração histórica pouco alterada.

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