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Questão de Literatura Contemporânea e Afro-Brasileira — ENEM

Cuti, nome literário de Luiz Silva, é um dos fundadores dos Cadernos Negros e um dos principais nomes da literatura negra brasileira, atuando na poesia, na prosa e na reflexão crítica sobre o tema. Sua produção costuma usar a palavra como instrumento de afirmação da identidade negra e de enfrentamento do racismo. Para ilustrar essa postura, considere um poema composto em seu estilo: 'Minha pele não é tema / pra estudo de ninguém. / É bandeira, é tambor, / é palavra que não baixa a voz. / Onde quiseram silêncio, / eu deixo verso.' O eu lírico recusa ser objeto de análise alheia e transforma a própria existência em afirmação e resistência. A linguagem é combativa e direta. Com base no trecho, qual é a atitude do eu lírico diante da identidade negra?
AEle afirma a identidade negra com orgulho e usa a poesia como forma de resistência ao racismo.
BEle pede desculpas por sua condição e busca apagar os traços de sua origem.
CEle trata a própria identidade apenas como assunto distante e impessoal.
DEle defende o silêncio como melhor resposta às situações de discriminação.
EEle renuncia à poesia por considerá-la incapaz de tratar de temas sociais.

Gabarito comentado

A literatura negra de combate, como a de Cuti e dos Cadernos Negros, usa a palavra para afirmar a identidade e enfrentar o racismo, transformando quem era objeto de estudo em sujeito que fala. Perceber o tom afirmativo e de resistência é essencial nessa leitura.

Resolução passo a passo

No poema, o eu lírico afirma que sua pele 'não é tema pra estudo de ninguém' e a transforma em 'bandeira', 'tambor' e 'palavra que não baixa a voz', deixando 'verso' onde quiseram silêncio. Há, portanto, uma afirmação orgulhosa da identidade negra e o uso da poesia como resistência ao racismo, coerente com a atuação de Cuti. Não há pedido de desculpas nem desejo de apagar a origem, e sim o contrário; a identidade não é tratada como assunto distante, uma vez que o eu fala de si com intensidade; o silêncio é justamente o que o texto recusa, ao 'deixar verso'; e a poesia não é abandonada, e sim adotada como arma de afirmação. Assim, a atitude é de orgulho e resistência por meio da palavra.

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